Mesmo com o sol alto, o
vento frio incomodava o pequeno Jochanam. Protegido por um arbusto,
brincava com pedrinhas na areia, levantando-se, de vez em quando
para olhar ao longe. Esperava algum sinal da caravana de Jesus e os
discípulos. Estava ali, na estrada do pequeno vilarejo, na Betânia,
a pedido de Marta, amiga de Ashira, sua mãe. Ao fundo, no caminho
que liga a parte leste de Jericoh, percebeu grande movimentação.
Eram muitos. Seguramente só poderia ser o Mestre Galileu e seus
seguidores, visto não ser comum tal movimento em plena quinta
feira. Ele voltou correndo, e na colina foi ter com Marta, que,
avisada por outros, já subia:
- Eles estão chegando, eles
estão chegando... - dizia, afobado, Jochanan - até ser amparado por
Ashira que também cuidava da irmã de Lázaro, morto desde
domingo.
Ao lado, a apoiar-se numa
bengala de fina lavra, incrustrada com madrepérolas, Caleb seguia a
caravana, enquanto ia conjeturando com
Ephraim:
- Pobre mulher - dizia ele em tom
diverso - deveria já estar cuidando de suas coisas... O irmão
deixou muitas terras, vinhedos e olivais... Ficou sozinha com a
outra, Maria. – e com ar interesseiro acrescenta - Vão
precisar de alguém como eu para cuidar dos
negócios....
O companheiro, notando o olhar
de cobiça, a ambição voraz do comerciante judeu,
adverte:
- Vá devagar Caleb...Lázaro
detinha o respeito do Sinédrio...E eles devem proteger as
irmãs...
- Claro... Eu sei... Mas
não hesitarei em me oferecer para participar... Temo que elas, com
a pouca experiência possam deitar fora a herança... - e arrematando
com um olhar no futuro - Isso também vai modificar o meu conceito
junto a Caifás... e aos sacerdotes...
Já no alto do caminho, Marta e a
pequena comitiva enxergam Jesus e os seus que se
aproximavam.
- Mestre... Se estivésseis aqui Lázaro
não teria morrido... - disse Marta, de
joelhos.
Levantando-a e confortando-a nos
braços, Jesus falou:
- Marta... Acalme-se... Tenha fé
simplesmente... Seu irmão ressuscitará!
- Sim, Senhor, eu sei... Ressuscitará
nos últimos dias...
Olhando em derredor Jesus pergunta por
Maria, a outra irmã. Informam-no que ela ficara em casa, junto a
outros, pois conforme a tradição, aquele era o quarto dia e a pedra
do túmulo fora totalmente rolada. Com os olhos fixos na irmã do
amigo, Jesus falou, em meio a grande silêncio que se
fizera:
- Marta... Eu sou a Ressurreição e a Vida.
Aquele que crer em mim ainda que pereça, jamais
morrerá!
Jesus se dirigiu com os apóstolos ao
jardim onde se encontrava a sepultura, uma caverna no sopé da
colina. Por sua vez, Marta, pressentindo que algo de extraordinário
iria acontecer, foi buscar a irmã. Caleb e Ephraim acompanhavam
tudo, de perto.
- Você viu?!- diz Caleb, cutucando o
outro com a bengala - E dizia-se amigo do infeliz morto!...
Amigo!...- tartamudeia - enquanto o coitado morria doente, ele
estava longe. Dizem que curando os estrangeiros, fazendo as
mágicas, bem longe... - e dando de ombros, completa - Esse povo é
muito fácil de ser enganado... Ingênuos, deixando-se levar por esse
místico, um embusteiro... Também – conclui – "o que
esperar de quem vem da Galiléia..."
Sem objetar, mas sem concordar,
Ephraim fez meneio de resignação, e foram para onde Jesus estava
com os discípulos e as duas irmãs.
De onde estavam, ouviram quando
foi dada a ordem aos ajudantes para retirarem a pesada pedra que
vedava o túmulo. Também entenderam - porque grande era o silêncio
àquela hora - quando o Rabi, com as mãos aos céus,
orou:
- Pai, eu vos dou graças, por
atenderes ao meu pedido. Vós que estais em mim e comigo fazeis isto
para a para Vossa Glória, para o fortalecimento da
Fé...
Com autoridade sublime, olhando
para dentro da sepultura, ordena:
- Lázaro... Levanta-te... Vem pra
fora!
O Milagre, o maior de todos, se
deu. O silêncio foi quebrado por gritos e choros de júbilo e
aclamação. Em pouco tempo, Lázaro estava livre das ataduras que o
prendiam. Alguns, apavorados fugiam de um lado a outro. Aterrados
agradeciam a Deus. Abraçados, Lázaro, Jesus, Maria e Marta, em
santa euforia, deitavam lágrimas de gratidão, marcadas em suas
faces e panos. Aturdidos, os apóstolos davam Graças aos
Céus.
Um pouco afastado, com
expressão de assombro, Ephraim, com olhos fixos no amigo, comenta
emocionado:
- Acabamos de ver um milagre
impressionante, Caleb! Isso só pode ser coisa de Deus... Lázaro
ressuscitou!
O negociante sagaz, vendo
malogradas suas ponderações preconceituosas, sem disfarçar sua
decepção, cofiava a barba rala, deixando à mostra os dentes
amarelados. Pensativo, em sorriso irônico,
completa:
- É... Tudo bem... Ressuscitou
sim... Mas observe bem o detalhe: a túnica que cobria Lázaro está
toda enlameada... Toda suja... E cheira mal... – e com a mão
no nariz, saiu, vociferando - Como fede!
Diz a tradição que Caleb esperou
em vão outro Messias até sua morte. Suas gerações posteriores
permaneceram nessas convicções e o veneno de suas insinuações se
espalhou por todos os cantos da Terra, estando entre nós, nos
lábios de muitos, até hoje.
Pe. Aldo – espírito-
(Mensagem recebida por Arael Magnus no
Celest - Centro Espírita Luz na Estrada – Sabará - MG, em 3
de Maio de
2009)
fundoamor@gmail.com
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São músicas mediúnicas, de fundo doutrinário, espiritualista,
recebidas por Arael Magnus desde 1964. Atualmente estão catalogadas
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